Apartamentos pequenos, mas sem aperto

artigo original Morar bem, sem aperto: 3 apartamentos pequenos que foram reformados para uma moça solteira, um casal e uma família.

Não é só uma impressão: os apartamentos perderam preciosos metros ao longo das últimas décadas. A alta do preço do terreno resulta em empreendimentos com mais – e menores – unidades, analisa Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Nos perfis de dois e três quartos, alguns chegam a ter entre 40 e 50 m², exemplifica Fábio Abreu, pesquisador do Nomads (Núcleo de Estudos de Habitares Interativos da Universidade de São Paulo). Já os de quatro quartos perderam em média 30 m² desde o ano 2000. Hoje encontramos modelos com até 90 m². Os ambientes mais afetados foram o quarto, o banheiro e a cozinha. Por isso, a necessidade de repensar os espaços. É o que você vai perceber nos 3 apartamentos abaixo, reformados para uma moça solteira, um casal e uma família. Conheça outros 10 truques para fazer o espaço render em apartamentos pequenos.

 

Apartamento de 38 m² para moça solteira

Quando entrou pela primeira vez no apartamento, ainda em construção, a representante comercial Rita levou um susto. Como o comprei na planta, não tinha ideia real do espaço. Pensei: preciso de ajuda profissional, lembra. Convocada, a arquiteta Cristina Bozian não hesitou em se livrar da parede entre a sala e o quarto. A substituí pelo painel de madeira de 8 cm de espessura. A alvenaria ocupava 15 cm, diferença preciosa numa casa compacta, diz. Além de isolar a área íntima, a peça embute a fiação e camufla a porta do banheiro. O parquê de perobinha passeia por todo o apartamento: vai do piso ao painel divisório e surge até no frontão da cozinha. Esta solução traz a sensação de continuidade e parece empurrar os limites do espaço, explica Cristina. A escolha dos móveis também trabalha a favor dessa percepção. Por isso, optamos pelo aparador baixo da TV e pelo sofá sem braço, de visual alongado” Versáteis, as banquetas acomodam visitas extras, servem de apoio lateral ou viram a mesa de centro que falta.

A opção por um sofá sem braço foi estratégica. A sensação visual é de que ele continua. Essa percepção é bem-vinda numa sala estreita, explica a arquiteta Cristina Bozian. Multiúso, as banquetas coloridas atuam como mesinha lateral. Repare na cortina: um xale de voal desce sobre o rolô de bambu. Sozinho, o rolô recortaria visualmente o pé-direito. Como vai até o piso, a cortina equilibra o conjunto e parece alongar a parede.

 

Apartamento de 45 m² para casal

Integrado para o casal: a reforma do apartamento de 45 m² suprimiu paredes e a decoração ganhou coloridas referências dos anos 1970.

Já na porta, dá para enxergar todos os cômodos do apartamento de apenas 45 m² do arquiteto Rodrigo Angulo e sua esposa, Claudia. À frente, estão sala e cozinha, e à direita, cama e banheiro, único ambiente com privacidade. Resolvi abrir tudo, inclusive o quarto, diz Rodrigo. Os limites entre os espaços e os diferentes usos são definidos pela distribuição dos móveis e por elementos decorativos. Em função da integração dos ambientes, Rodrigo desenhou armários e nichos até dentro do banheiro e sob o colchão a fim de administrar a bagunça no apartamento. Para evitar um visual pesado, optei pela marcenaria revestida de madeira clara e sempre suspensa. Sem emendas aparentes, o cimento queimado aplicado em algumas paredes traz a sensação de profundidade e serve de base neutra aos móveis e objetos com perfume pop. Adoro a nostalgia dos anos 1970 e tenho muita coisa de família dessa época.

Psicodélica, a cozinha tem um painel de 80 azulejos de demolição de 1973 (Museu dos Azulejos). Cimento queimado reveste as paredes da área, que também abarca a sala de jantar.

 

Apartamento de 97 m² para família

A reforma deste apartamento colocou paredes abaixo para integrar os ambientes, estimulando a convivência do casal com os filhos adolescentes.

A marcenaria planejada é a grande sacada deste apartamento pequeno.

Tamanho família: a reforma do apartamento em que vivem um casal com os filhos visou à integração dos ambientes, mas sem prejudicar a funcionalidade e a integridade dos usos.

Até mesmo os centímetros ocupados por portas, puxadores e paredes foram considerados no projeto do apartamento de 97 m², assinado pela decoradora Maristela Gorayeb. Espaço é luxo e bem-estar. Foi uma questão de respeito preservá-lo neste contexto: o de uma casa compacta para uma família, diz Maristela. Entregue na planta, o imóvel para o casal com dois filhos adolescentes perdeu fronteiras estanques na área social. Estar, jantar e cozinha foram integrados sem prejudicar a funcionalidade e a integridade dos usos. Calculada milimetricamente, a marcenaria teve um papel fundamental tanto no aproveitamento da área como na nova distribuição. Buscamos uma configuração mais flexível, com o escritório e a cozinha abertos à convivência, explica. Consegui até incluir um lavabo, inexistente na planta original. A base neutra, com estantes claras e piso único de granilite, reforça a percepção de amplitude.

Visual sem muitas emendas favorece a sensação de amplitude, ensina a decoradora Maristela Gorayeb. Na sala de jantar.

 

FONTE: http://casa.abril.com.br/materias/apartamentos/apartamentos-pequenos-aperto-483562.shtml